segunda-feira, 20 de junho de 2011

Depois de ficar muito tempo sem atualizar aqui, resolvi que chegou a hora de deixar tudo isso pra trás. A gente muda muito, às vezes em muito pouco tempo, e algumas coisas já não fazem sentido.

De qualquer forma, não tenho coragem de apagar tudo que já escrevi aqui. Tantas felicidades e tantas tristezas, é sempre gostoso ler tudo que eu já escrevi. Mas talvez agora eu deva escrever com um foco maior, sem deixar sempre minha vida se misturar com minhas invenções e com as coisas que assisti.

Já abandonei aqui tantas vezes e sempre acabo voltando, mas talvez tenha chegado a hora em que eu deva ir para os bastidores mesmo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Our Father who art in heaven,
Hallowed be Thy name;
Thy kingdom come;
Thy will be done on earth
as it is in heaven.

Give us this day our daily bread;
And forgive us our trespasses
as we forgive those who
trespass against us.

And lead us not into temptation,
but deliver us from evil.
For Thine is the Kingdom,
and the power,
and the glory, forever.

Amen.

terça-feira, 29 de março de 2011

Medrar os jardins

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Só pra provar que ainda sou tua


Essa cadência é maravilhosa. Dá pra imaginar ela se agarrando nos cabelos, nos pelos do peito, na calça do pijama, nos pés, até chegar ao chão. Acho sensacional essas imagens que ele cria, tão simplesmente perfeito. A gente se humilha, depois fica com raiva e ódio, fala o que não devia - as palavras que nunca deviam ser ditas por ninguém - e depois quer provar que nunca mudou. Pra mostrar que eu ainda sou sua. E depois voltar correndo pra me certificar que você nunca mais vai voltar.

E os homens lá pedindo bis, bêbados e febris, a se rasgar por mim.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Relendo algumas coisas antigas do meu blog, me senti mal por tê-lo abandonado. Não que faça alguma diferença, mas talvez fosse mais reconfortante vomitar todos os meus pensamentos aqui do que guardá-los pra mim mesma.

O grande problema é que ultimamente tenho achado bastante agradável escrever por metáforas, de modo que eu consiga me libertar de alguns fantasmas mas que os leitores não entendam totalmente do que eu estou falando.

Nem sempre é tão fácil, algumas metáforas acabam sendo somente um adorno para uma história de merda e fica muito óbvio; e quanto menos óbvio, melhor. De modo que eu possa falar sobre a morte de uma pessoa sem que ninguém saiba que alguém morreu, sem que ninguém sinta o cheiro podre no ar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Mais um longo período em que deixo os cigarros criando mofo e o vinho azedando.

Acontece que não sei mais se quero me perpetuar, compartilhar meus pensamentos, minhas histórias - vividas, criadas, adaptadas, desejadas -, meus ódios, meus amores.

No fim, é sempre a mesma coisa, a decepção, a desilusão e a tristeza. E nessas horas eu vejo o quanto esse blog é meu ("esse blog é tão seu"), por guardar todas as minhas felicidades e tristezas, medos e revoltas. E por traduzir, de forma real e simbólica, minha vontade de me embriagar e afundar em fumaça, o cheiro do álcool pairando no ar. E, por alguns instantes, eu saio da minha realidade comum e enxergo a mim mesma naquela época que não volta mais, em que não havia nada mais que o spleen na madrugada.

E na verdade eu nunca soube de onde veio minha grande fonte de inspiração, que move esse blog de tempo em tempo - uma tentativa frustrada de impedir a proliferação dos fungos pelo ambiente -, mas que se resume perfeitamente em cigarros e vinho barato.

E hoje, quando a cabine do banheiro do escritório se tornou minha confidente e eu ensaiava sorrisos no espelho a fim de camuflar a tristeza, eu encontro conforto em uma caixa de texto que apenas reproduz as palavras que eu penso.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ainda não havia se decidido. Que será melhor? Se arrepender por arriscar ou se arrepender por não ter arriscado?

Não estava acostumada a fazer escolhas por conta própria.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Se soubessem da fraude que era, não mais leriam suas palavras.

Na verdade, a inspiração só vem depois que ele aparece. Sem ele, não havia porquê registrar seus pensamentos pela eternidade. A verdade é que sempre escreveu só pra ele, pois sabia que somente ele sabia ler da forma correta.

Não desmerecendo seus leitores fiéis, gastaram tanto dinheiro comprando seus livros, passaram horas esperando por uma ilegível mensagem na primeira folha.

Com o tempo, a vontade de se fazer imortal diminui. Voltara à habitual tradição de manter folhas em branco.